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 A má gestão do petróleo: queda no PIB

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Esqueça a crise financeira mundial. Na Venezuela, a queda de 4,5% no PIB é consequência da má gestão no setor de petróleo, dos apagões elétricos e do cerco ao setor privado.

Fotos Diego Giudice/Archivolatino e Fernando Llano/AP
E AGORA, CORONEL?
Fila em frente ao supermercado estatal Mercal, em Caracas: Chávez (ao lado) levou os venezuelanos a privações de guerra. Só falta criar um conflito de fato



 

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No momento em que outras nações deixam para trás a crise financeira ou fazem as contas para sair dela, a Venezuela de Hugo Chávez segue na direção contrária e entra oficialmente em recessão. Na semana passada, o Banco Central venezuelano anunciou que, pelo segundo trimestre consecutivo, houve recuo na produção de riquezas no país. O PIB dos últimos três meses está 4,5% abaixo do registrado em 2008. Até meados deste ano, esperava-se que o encolhimento fosse de 1% a 2%. Praticamente todas as atividades se contraíram. A indústria desabou 9,2%. O comércio, 11%. A produção de petróleo caiu quase 10%. Em dez anos de governo bolivariano, as políticas socialistas arruinaram o setor privado, enquanto o estatal passou da mera ineficiência à total paralisia. Diante das más notícias na economia, todas elas de confecção caseira, Chávez fez o de sempre para desviar a atenção: apontou o dedo para um suposto inimigo externo. Ele elevou o tom das ofensas ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, a quem chamou de "desgraçado" e "cínico". Também ordenou que membros do Exército explodissem duas pequenas pontes pênseis de madeira em um local ermo da fronteira entre as duas nações. Os militares venezuelanos entraram no país vizinho e, após ser recebidos a pedradas por agricultores, dinamitaram as passagens.

As razões que empurraram a Venezuela para a atual situação são muito diferentes das que detonaram a crise financeira no mundo. A principal delas é a diminuição na produção petroleira, responsável por mais de 90% das divisas externas. Há dez anos, mais de 3 milhões de barris eram produzidos diariamente no país. Agora, são apenas 2,2 milhões. Motivo: a PDVSA, estatal petrolífera e a maior empresa da Venezuela, cancelou investimentos na perfuração de poços. "A área de energia demanda investimentos constantes. Quando se negligencia isso, manter os resultados no mesmo nível fica impossível", disse a VEJA o economista Maikel Bello, da consultoria Ecoanalítica, de Caracas. Dez anos atrás, a estatal utilizava 120 brocas de perfuração, indispensáveis na prospecção de novos poços. No início de 2009, havia sessenta. Agora, são cinquenta. O sucateamento das empresas que prestam serviços para a PDVSA também ajuda a explicar o quadro. Em maio, o governo estatizou boa parte delas. Como regra, quando Chávez vira o patrão, a produção cai 40% e a folha de pagamento dobra. Uma das empresas que passaram por esse processo, a Terminais Maracaibo, fazia o transporte de pessoas e de peças para as plataformas no lago de mesmo nome. Hoje, é um cemitério de embarcações, aposentadas por falta de manutenção. Mais de 60% das lanchas e rebocadores estão parados, enquanto, nas plataformas de extração, operários armazenam água da chuva, porque água potável virou produto escasso. "Até o ano passado, o elevado preço do petróleo mascarou essa ineficiência absurda", disse a VEJA o economista venezuelano José Toro Hardy, de Caracas. "Agora, essa proteção não existe mais."

O setor privado acumula uma lista infindável de queixas. O congelamento de preços faz com que empresários, sob pena de ter prejuízos, desliguem a linha de montagem. Para obter dólares e, assim, conseguir importar insumos, é preciso aprovação do Cadivi, um burocrático órgão estatal que muitas vezes indefere a solicitação. Sem matéria-prima, muitas fábricas declaram férias coletivas. Um dos setores mais afetados é o dos automóveis. Nas concessionárias, só há carros nas vitrines. Para quem insiste em comprar um, o ágio chega a dobrar o valor do veículo. Também não existem alimentos. A produção nacional caiu, e o governo não tem mais dinheiro abundante para importar e vender, a preços subsidiados, produtos do Brasil, da Colômbia e dos Estados Unidos. As portas dos supermercados da rede estatal Mercal passam a maior parte do tempo fechadas. Quando se abrem, as prateleiras estão quase todas vazias. O colapso foi aprofundado pelos apagões elétricos quase diários, que os técnicos estatais já não conseguem prevenir. A crise energética danifica maquinários e torna quase impossível organizar a produção nas fábricas. Não por acaso, apenas uma em cada dez grandes empresas na Venezuela realiza atualmente algum investimento. Com racionamento e apagões, Chávez criou para seu povo privações de guerra. Agora, só falta iniciar de fato um conflito.

:: Duda Teixeira - Veja

 
    

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