Aleluia faz análise do Brasil; Parlamentar é vice-presidente do Democratas
A Política Real está atenta e sempre que tem acesso publica artigos de parlamentares nordestinos.
Chegou à redação um artigo do deputado José Carlos Aleluia (DEM-Ba), ele que é um nome respeitado da Oposição na Câmara e no Congresso Nacional visto que também é vice-presidente Nacional dos Democratas. Ele faz uma avalizaçào do Brasil dos últimos anos. Veja a íntegra de seu artigo:
Recente história política do Brasil.
Vou fazer um esforço muito grande para falar para as pessoas que gostam do atual governo, dos eleitores que apreciam o governo do presidente Lula. Vou falar para as pessoas humildes. Quero contar um pouco a história recente do Brasil.
Em 1964, eu era estudante e, evidentemente, sendo estudante, insurgi-me contra a restrição à liberdade, contra a redução da liberdade, contra a ação dos militares, que fecharam o Congresso Nacional e retiraram a liberdade das pessoas. Muitos foram presos, porque tinham em casa livros considerados comunistas. Recordo-me de um vizinho que foi preso apenas porque gostava da chamada leitura subversiva.
De 1964 até o início dos anos 1980, o Brasil viveu um regime de ditadura militar. Nos anos 1980, fizemos a transição. Ou seja, mudamos o regime e, aos poucos, sem nenhum derramamento de sangue, estabelecemos a democracia, uma democracia que se vai firmando a cada dia. Ela foi inaugurada, digamos assim, com o governo de transição de Tancredo Neves, que, dia 4, foi devidamente homenageado, porque completaria 100 anos, e que foi exercido, pela morte de Tancredo Neves, pelo presidente José Sarney, um governo de abertura, de inauguração da democracia.
Ao fim do governo do presidente José Sarney, tivemos eleições diretas, a primeira eleição direta desse novo ciclo democrático brasileiro, desse novo período democrático brasileiro.
Foi eleito o presidente Collor. O Congresso Nacional — eu já era deputado nessa época — cassou o presidente Collor. A maior acusação que se fazia ao presidente Collor é que ele tinha um amigo chamado Paulo César Farias que negociava com empresas nacionais e internacionais e por isso recebia dinheiro para fazer transações, uma negociação dos interesses da empresa junto ao governo. Era exatamente isso que Paulo César fazia.
Hoje, decorrido tanto tempo, o governo Lula tem o seu Paulo César Farias. Não há nenhuma diferença entre o comportamento de José Dirceu e o comportamento de Paulo César Farias. Este foi tesoureiro da campanha do presidente Collor, assim como José Dirceu foi o coordenador da campanha do presidente Lula. José Dirceu foi demitido da Casa Civil pelo presidente Lula, porque foi comprovado que ele era o chefe do “mensalão”, um dos grandes escândalos desse governo.
E o que é pior: José Dirceu é afastado formalmente do governo e passa a ficar igualzinho a Paulo César, o PC, fazendo negócios por fora. Na semana passada a imprensa denunciou que José Dirceu recebeu 650 mil reais para ajudar...
Paulo César Farias, portanto, fazia negócios sem ser do governo, sem nunca ter sido do governo, e José Dirceu continua comandando o governo, comandando o PT e coordenando a campanha da ministra Dilma Roussef.
Depois de ter feito a democracia, elegemos Collor. Afastamos democraticamente Collor. Em seguida, assumiu o presidente Itamar Franco, que completou a transição. Foi eleito o presidente Fernando Henrique Cardoso. Fizemos reformas, reformas duras, estabelecemos no Brasil o fim da inflação.
E, aí, eu me recordo de Ulisses Guimarães, que dizia muito bem: “A inflação é um imposto que só os pobres pagam. Só os pobres pagam, porque os ricos se defendem da inflação, a classe média se defende da inflação, colocam o dinheiro na aplicação bancária que rende por dia. E o pobre, não podendo fazer isso, vê o seu salário destruído”. Portanto, nós, o governo do Democratas, do PSDB, de Fernando Henrique Cardoso e de Marco Maciel, acabamos com a inflação. O Brasil hoje tem uma inflação civilizada.
Aliás, coisa que não imaginávamos conseguir em período tão curto.
Fernando Henrique Cardoso governou oito anos, com democracia plena. Não participou ativamente da campanha para a sua sucessão. Foi eleito o presidente Lula, um operário, que tomou algumas decisões corretas no começo do governo. A principal delas foi escolher um deputado do PSDB, ex- presidente do Banco de Boston, para ser o chefe da economia, porque o chefe da economia do governo do presidente Lula, sem dúvida, é o ministro Henrique Meirelles, presidente do Banco Central.
O governo do presidente Lula se envolveu no mensalão. A oposição decidiu não traumatizar o País com um processo de impeachment. Disputamos uma eleição. O presidente Lula foi reeleito. Tudo de maneira democrática.
É importante escolher bem o presidente da República, é importante escolher bem os deputados, e é importante escolher bem os senadores. Observem que o presidente Lula é um sindicalista de resultados, é um negociador, inegavelmente. Por isso, foi capaz de governar quatro anos, mantendo a estabilidade econômica — recebida do governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB e do Democratas — e ampliando os programas sociais.
Agora precisamos mais. E a candidata do presidente da República não é uma sindicalista, não é nem uma petista histórica. É uma revolucionária, e uma revolucionária que já teve comportamentos condenáveis quando era alguém que divergia do governo — pelo menos condenáveis no meu ponto de vista.
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