Reeleito presidente do PMDB, o deputado Michel Temer (SP) é considerado "muito fraco" para ser o vice de Dilma Rousseff (PT) na corrida pela presidência da República. A opinião é do senador e correligionário Pedro Simon (PMDB-RS), que também acusa as lideranças do partido de terem dado um "golpe".
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Antônio Cruz/Agência Brasil
O senador gaúcho Pedro Simon (PMDB)
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"A eleição estava marcada para 10 de março, e nós estávamos nos preparando para o dia 10 de março", diz Simon, favorável à candidatura própria do partido. "Agora de repente eles marcam a eleição para este sábado".
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Temer foi reconduzido à presidência do partido neste sábado, 6, durante a Convenção Nacional do PMDB. A reunião foi realizada sem a participação das alas contrárias à aliança da sigla com o PT para as eleições presidenciais. O governador do Paraná, Roberto Requião, tem manifestado seu desejo de ser o candidato peemedebista no pleito deste ano.
"Eles fizeram uma coisa maquiavélica", critica Simon. "E como no caso deles são eles mesmo que fizeram a chapa, não precisam provar nada, ninguém sabe nem se a chapa que eles apresentaram tinha assinatura ou não".
Confira a entrevista com o senador:
Terra Magazine - Como avalia a reeleição de Michel Temer à presidência do PMDB?
Pedro Simon - Eu esperava, não tinha nenhuma dúvida nesse sentido. A maioria dele no PMDB é uma coisa mais do que evidente. Nossa expectativa é que, se nós conseguirmos que haja uma convenção para votar no nosso canidato à presidência da República, na votação secreta, a maioria eleitores, que são filiados, vote no Requião ao invés de votar no candidato de outro partido. É a expectativa que nós temos.
A reeleição de Temer muda algo no partido?
Não muda nada. Não houve nenhuma decisão, a não ser reconduzir o Temer para ser vice da Dilma. Aliás um vice, na minha opinião, muito fraco.
Por que o setor do PMDB contrário à aliança com Dilma não apresentou uma chapa?
Porque a convenção era para ser no dia 10 de março, e eles escandalosamente anteciparam para 6 de fevereiro. Não havia nem tempo de apresentar a chapa. Ela precisa ter um representante de cada Estado, e esse representante tem que assinar. Não tinha nem como a gente pegar, por exemplo, uma do Amapá, de Rondônia, etc.
Sim...
Eles fizeram uma coisa maquiavélica. E como no caso deles são eles mesmo que fizeram a chapa, não precisam provar nada, ninguém sabe nem se a chapa que eles apresentaram tinha assinatura ou não. Agora, se é a oposição que apresenta a chapa, eles invalidam se não tiverem as assinaturas. Não tinha nenhuma condição.
Em segundo lugar, nós não estávamos preocupados com isso. Nossa briga não era com isso, embora nós achássemos que o Temer devia ter grandeza de colocar uma pessoa com mais independência (para representar o partido na chapa de Dilma). Estava nas nossas cogitações apresentar uma chapa para fazer 20%, 30%, e evitar que o Diretório fosse só deles. Teve um representante do Paraná que lançou a candidatura do Requião e ninguém vaiou. Mas do lado de lá ninguém falou em candidatura própria.
Ainda assim, a ausência da ala favorável à candidatura própria não pode ter sido ruim do ponto de vista da disputa por espaço dentro do PMDB?
Mas aí você não leva em consideração que eles deram um golpe. A eleição estava marcada para 10 de março, e nós estávamos nos preparando para o dia 10 de março. Agora de repente eles marcam a eleição para este sábado. A chapa tinha que ser registrada com oito dias de antecedência; quando marcaram a convenção, nós tínhamos dois dias para fazer a chapa.
Essa ala acabou ficando subrepresentada no PMDB?
Não adiantava. Nós não tínhamos nenhuma preocupação nesse sentido. O problema é apresentar uma chapa na convenção e querer liberdade democrática para que ele possa fazer a votação. Há quatro anos o PMDB não fez convenção para escolher candidato, porque se fizesse ganhava (a tese) da candidatura própria.
Parece que a convenção só é realizada quando é oportuno...
Exatamente.
Diego Salmen - Terra Magazine