O Bandoleiro de Caracas volto a expressar seu apoio à candidata Dilma Rousseff em seu programa semanal de rádio e televisão. Prestem atenção a este trecho da fala. O mais importante não é o que ele diz explicitamente, mas o que apenas sugere:
“Nós não nos imiscuímos nos assuntos internos de nenhum país, mas, como se supõe, importa-nos o que se passa nos países da América Latina e do Caribe. Temos uma grande esperança de que o governo de Lula, um governo que foi nosso aliado, um governo que não se subordinou à ordem dos EUA, ao império ianque, siga seu curso, siga com seu próprio ritmo, com sua própria intensidade, no político, no econômico, mas um governo aliado dos povos da América do Sul, dos movimentos progressistas da América Latina, do Caribe e da África. Saúdo o companheiro presidente Lula, a ministra Dilma, que já é candidata, creio, já é candidata de Lula e do movimento que ele apóia. Estaremos muito atentos ao que se passa no Brasil e em toda a América Latina.”
Antes que eu aborde aquilo a que chamei de “mais importante”, cumpre destacar outro trecho da fala. Segundo Chávez, “a direita segue buscando a restauração” para debilitar os “governos progressistas”. E acusou a sua grande frustração: “O golpe em Honduras não foi contra Honduras; foi contra todo o movimento unitário da América Central, mas também da América do Sul (…) As bases militares [norte-americanas] na Colômbia são, como diz Fidel [Castro] sete punhaladas no coração da América do Sul, da união sul-americana”.
Observem que não foi outra a posição brasileira no caso de Honduras e das bases colombianas. Notem uma certa hesitação cínica de Chávez quando se refere ao “ritmo” e “intensidade” de Lula; ele busca palavras cuidadosas. Há um certo esgar de desprezo pela dita “moderação” de seu companheiro brasileiro. Mas está claro que ambos comungam dos mesmos propósitos.
Chávez está indo pro vinagre. Não é o caso de Lula. Mas o ditador tem razão quando afirma a comunhão da política externa brasileira com a canalha bolivariana. Não só com ela. Onde há um ditador, há um Itamaraty de joelhos. No caso de Celso Amorim, isso nem chega a ser necessário.
É isto: os bolivarianos estão agora em busca de uma primeira-dama!





Lulismo desqualifica a política. E abre caminho para o autoritarismo
