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  • "Você é nosso. Nós somos teu. E o Brasil é da gente!"


    “VOCÊ É NOSSO. NÓS SOMOS TEU. E O BRASIL É DA GENTE!” OU: PRENDAM OS MORDOMOS DE SEMPRE!

     

    Por Reinaldo Azevedo - Veja Online

     

    Ontem, o senador Fernando Collor (PTB-AL), este Colosso de Rhodes da Moral e dos Bons Costumes, tentou armar um pampeiro tendo como alvo, pela enésima vez, a imprensa, a VEJA, aquelas obsessões de sempre do impichado ressentindo, ora servindo de laranja de alguns petistas. Enquanto Collor queria pegar jornalistas (essa gente enxerida), Cândido Vaccarezza (PT-SP) mandava um torpedo para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB): “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é nosso, e nós somos teu”.

     

    Ontem foi o Dia Internacional Contra a Homofobia, mas nada de maldar (ou “bendar”…) as palavras carinhosas. Não era um caso de homoafetividade, mas de heteroafetividade política, entendem? Enquanto o PMDB e o PT estiverem unidos, nada de mau acontece à família. É, colegas, as coisas não estão se desenvolvendo conforme o planejado. O tiro está mesmo saindo pela culatra. Gosto que lembrem o que escrevi. Gosto também de lembrar o que escrevi. Não é arrogância, não! É apenas para deixar claro que o analista político estabelece um compromisso com o leitor. Ao fazê-lo, escolhe com quem quer falar. E eu, se me permitem, os quero. Parodiando Vaccarezza, “vocês são meus, eu sou de vocês” — com todo o respeito, é claro, e sem a Delta no meio, hehe.

     

    Então vamos usar um pouco de memória para ver se aqueles acertos de ontem, que deixaram fora da CPI a Delta nacional, Fernando Cevendish e os governadores, surpreendem os leitores deste blog.

     

    No dia 1º de abril, escrevi aqui um texto intitulado A rede suja na Internet e a tentativa de melar o processo do mensalão e livrar a cara de José Dirceu“. Anunciava, então, de primeira, qual era o intento daquela turma. Escrevi:


    O objetivo é jogar lama na imprensa e no Judiciário para reforçar a tese de que o mensalão foi uma invenção. O próprio Lula, diga-se, este monstro da moral, chegou a afirmar, ainda na Presidência, que iria querer investigar a sério este assunto, sugerindo que era tudo uma trama da oposição. Como se a dinheirama assumidamente ilegal que circulou no partido jamais tivesse existido.”

     

    No dia 11 de abril, o texto era este: Lula entra na articulação da CPI e deixa claro que o objetivo não é punir corruptos, mas pegar a oposição. É mais uma contribuição sua para a miséria institucional brasileira“. E se lia então:


    Embora nomes de petistas apareçam no esquema do bicheiro — ontem à noite, caiu o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, do DF — e a construtora Delta seja íntima do PT, o chefão do partido quer vingança. Acha que é hora de ir à forra e, às vésperas do julgamento do mensalão e em ano eleitoral, pegar mais algum figurão de um partido de oposição.”

     

    No dia 17 de abril, há um mês, foi a vez de A CPI e o pior que pode acontecer. Ou: Cachoeira com a mão no botão vermelho“. Com todas as letras, eu lhes ofereci isto:


    O pior que poderá acontecer ao país e às instituições é a instalação de uma CPI sob o signo do medo, que acabará não investigando porcaria nenhuma! Do clima de guerra, com a faca nos dentes e os olhos injetados de sangue, chegar-se-ia, para recorrer a uma palavra que caiu em desuso como conceito político, à CPI da “détente”, da inimizade cordial. Ninguém se atreveria a detonar primeiro o, digamos assim, artefato nuclear. Escolher-se-iam alguns bodes expiatórios, e pronto! Mas quem seria servido em postas apenas para fazer as honras da casa? Cachoeira aceitaria ir para o matadouro sem levar junto a Delta? Demóstenes iria para o sacrifício, preservando outros tantos íntimos do esquema Cachoeira?”

     

    Naquele mesmo 17, no texto “A CPI E OS MEDOS DE CADA UM — No mundo do crime, não importa a origem dos ratos, o importante é que eles se organizem para comer os gatos“, este blog escrevia:


    O espírito que inicialmente moveu a criação da comissão não tem nada a ver com justiça, investigação, apuração, punição de culpados, nada disso… Lembrem-se do vídeo gravado por Rui Falcão, presidente do PT; lembrem-se da operação desencadeada por José Dirceu no JEG; lembrem-se da interferência direta de Lula na articulação da comissão. (…) a Operação Esmagamento imaginada por Lula, Dirceu e banda podre petista não deixa de ser tarefa arriscada. Já deu para perceber que a malha de influências de Carlinhos Cachoeira não obedece a um desenho convencional, não tem uma trama regular. Nunca se sabe que parte do tecido cada um dos fios soltos move. Pegue-se o caso do tal Idalberto Matias Araújo, o notório Dadá.”

     

    No dia 3 deste mês, há duas semanas, como se fosse hoje, lia-se aqui “POR QUE SE INSTALOU SÓ AGORA A CPI E POR QUE JÁ HÁ MUITA GENTE ARREPENDIDA NA BASE DO GOVERNO“, com a seguinte consideração:

     

    “A acusação contra a imprensa foi desmoralizada de maneira até vexaminosa. Subsiste hoje apenas na pena de alguns aloprados, que têm de continuar a fazer o serviço pelo qual são pagos — com dinheiro público! E, ora vejam, surgiu uma Delta no meio do caminho, com a sua, digamos assim, força avassaladora. Na mesma corrente em que o PT sonhou arrastar Marconi Perillo, também podem rodar Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal (e esse é apenas um de seus problemas), e a figura até então ascendente da política (eu, ao menos, nunca entendi por quê…) Sérgio Cabral (PMDB), governador do Rio. E isso pode ser apenas o começo. Imaginem, então, se Luiz Antônio Pagot resolver falar. Os que se assanharam na esperança de “destruir a mídia” — e se destaque, em nome da precisão, que esse ímpeto foi de Lula e José Dirceu, não do Planalto — certamente ignoravam o grau de intimidade entre a Delta e o esquema de Carlinhos Cachoeira. Aí tudo ficou, de fato, enrolado demais! PT e PMDB fecharam ontem uma espécie de pacto para deixar os governadores fora da investigação — e o PSDB não vai reclamar se as coisas caminharem por aí. Ficariam, assim, fora da CPI Marconi Perillo, Agnelo Queiroz e Sérgio Cabral. Com isso, pretende-se, também, afastar Fernando Cavendish, o dono da Delta, do imbróglio.”

     

    Bola de cristal?


    Tenho bola de cristal? Não! Apenas certo conhecimento da natureza das coisas e um enorme apreço pela lógica. Lula, que não larga a rapadura de jeito nenhum — jamais cumpriu a promessa de, para usar palavra sua, “desencarnar” do cargo que ocupou —, decidiu tomar o espaço da articulação política que pertencia à presidente Dilma Rousseff e fazer a “sua” CPI. “Mas não era necessário, Reinaldo?”, poderia indagar alguém. “Sim!”, respondo eu. Faz-se necessário ter uma CPI que realmente investigue, então, a extensão do esquema Delta-Cachoeira no Brasil inteiro. No começo desta madrugada, o Jornal da Globo levou ao ar gravações em que Cachoeira e seus homens tratam de uma parceira com a Delta “em nível de Brasil” (sic) e de coisas (quais?) que ficariam “em nome da Delta” — ver posts abaixo. Mas haverá essa investigação?

     

    Se Lula e os petistas soubessem em que cumbuca estariam metendo a mão, a tanto não ousariam porque fazem a linha dos macacos espertos. Mas é que falaram mais alto, como diria o poeta, a “glória de mandar” e a “vã cobiça”. O ApeDELTA cansou de plantar nos bastidores — e seus estafetas fizeram o mesmo — que, desta vez, a imprensa estava mesmo lascada, entenderam? Alguém andou emprenhando alguns petistas pelos ouvidos: “Sabem a VEJA, aquela revista que gosta de dar notícias? Pegamos!”. Não! Nada pegaram porque nada havia para pegar além da conversa de jornalista com fontes — e para fazer reportagens. Se Vaccarezza disse a Sérgio Cabral “Você é nosso; nós somos teu”, a turma do Cachoeira também teve a chance de dizer em suas conversas: “O Policarpo jamais será nosso”. Jamais! É isso aí!

     

    Caminhando para o encerramento


    Já imaginaram haver no Brasil um sistema que permitisse dar a Cachoeira o perdão, com troca de identidade e até o direito a uma plástica para mudar o rosto? A única coisa que se exigiria dele, em troca da liberdade em algum lugar deste vasto mundo, seria contar tudo o que sabe. Não é certo que a corrupção acabaria no país porque, infelizmente, não é assim tão fácil. Mas é certo que haveria um baita estrago no establishment político.

     

    Seu advogado é um dos criminalistas mais experimentados do país: Márcio Thomaz Bastos. Não existe no Brasil o estatuto do perdão em troca do “conta tudo!”. Vejam que curioso: mesmo tendo se transformado numa espécie de Inimigo Público nº 1 do país, em suas mãos está o destino de muita gente. Ele e Fernando Cavendish decidem o tamanho do estrago que vão fazer. Se arrependimento matasse, haveria muita gente da base aliada hoje mortinha da Silva. “E da oposição?” Esta não tinha o que fazer a não ser assinar a CPI. Na condição de minoria extrema, só lhe restava apoiar a investigação…

     

    Collor e alguns petistas, não obstante, seguem firmes: “Cortem a cabeça da imprensa, cortem a cabeça da imprensa!”. É no que deu a soma do velho mandonismo, que o senador representa, com o novo, encarnado pelo PT. Ficam lá naquela folia afetiva: “Você é nosso, nós somos teu, o Brasil é da gente”… E porrada na imprensa que insiste em tratar estepaiz como se fosse uma República!!!

    Postado sexta-feira, 18 de maio de 2012 às 10:44

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  • Vaccarezza para Cabral: "Você é nosso e nós somos teu"


    Vaccarezza promete blindar Sérgio Cabral na CPI do Cachoeira. Em mensagem, deputado do PT diz ao governador ‘você é nosso e nós somos teu’

     

    Paulo Celso Pereira - O Globo

     

    O ex-líder do governo na Câmara Cândido Vaccarezza (PT-SP) foi flagrado nesta quinta-feira trocando mensagens de texto com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, nas quais prometia que o PT vai assegurar a proteção do governador na CPI do Cachoeira. Em imagem exibida à noite no Jornal do SBT, Vaccarezza envia uma mensagem de texto dizendo que Cabral não precisava se preocupar, apesar das arestas entre seus partidos: "A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu (sic)", disse no texto.

     

    Vaccarezza foi o principal defensor de que o requerimento que determinava a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico da construtora Delta se ativesse às subsidiárias dela no em Goiás, Distrito Federal, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A oposição queria que os sigilos da matriz, que fica no Rio de Janeiro, e das subsidiárias de outros estados também fossem quebrados.

     

    - Não estamos fazendo devassa, mas muitos aqui querem devassa. A CPI não pode se transformar numa casa de espetáculo ou de devassa - criticou o deputado durante a sessão, para completar dando o tom da blindagem. - Se tiver superfaturamento em uma obra ou outra, não é competência desta CPI.

     

    A Delta se tornou uma das grandes construtoras do país justamente após firmar grandes contratos no Rio. hoje, durante toda a discussão do requerimento que tratava do sigilo da construtora, Vaccarezza manteve-se sentado entre os deputados fluminenses Leonardo Picciani (PMDB) e Filipe Pereira (PSC) - principais aliados de Cabral no colegiado - debatendo que condução dar à votação. Em vários momentos, o petista levantou-se e foi à mesa diretora para conversar com o relator Odair Cunha (PT-MG). No fim da sessão, foi o relator quem negou a possibilidade de se ampliar a quebra de sigilo.

     

    Procurado depois da revelação da troca de mensagem, o deputado Vaccarezza não foi encontrado. A assessoria do governador Sérgio Cabral afirmou que ele não quis comentar as informações.


     

    Postado quinta-feira, 17 de maio de 2012 às 22:23

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  • "Cuidado com a moratória nuclear", editorial O Globo


     

    Restrições ao uso do potencial da Amazônia são um alerta

     

     

    EDITORIAL - O Globo

     

    É essencial o planejamento no setor elétrico, devido ao tamanho das obras e o tempo de execução dos projetos. Termelétricas são erguidas em prazos menores, mas como o Brasil depende bastante de hidrelétricas — aspecto muito positivo, por ser a mais limpa fonte de energia e de custo mais baixo, em geral —, é necessário sempre antever o mercado com pelo menos uma década de antecedência.

     

     

    Na semana passada, ao falar sobre as perspectivas do setor, o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, confirmou, na prática, a adesão do Brasil a uma espécie de moratória nuclear, deflagrada em vários países depois do acidente de Fukujima, no Japão. Inclusive este país.

     

     

    O ministério formalmente nega a adesão à moratória, mas ela é evidente. Entre vários estudos, alguns estimavam cenários com novas usinas operando a partir de 2020. Mas, até 2021, o país não construirá nenhuma nova unidade, apenas finalizará Angra 3 — reator mais moderno que os de Fukujima, sem possibilidade de enfrentar os mesmos problemas (e terremotos e tsunamis não são ocorrências cotidianas).

     

    É possível que, para o horizonte de 2030, afirmou Zimmermann, sejam previstos um mínimo de quatro e um máximo de oito termonucleares.

     

     

    Mas é preciso combinar com os fatos. Se der certo o plano do governo de a economia alcançar uma taxa de crescimento sustentado na faixa de 4,5%/5% ao ano — é geral a torcida para o alcance da meta —, estima-se que o país vá necessitar, a cada ano, acrescentar ao parque instalado aproximadamente 4.500 MW, o equivalente a uma usina Belo Monte a cada doze meses, com base na produção média da hidrelétrica do Xingu.

     

     

    Ora, como é grande e talvez cresça a oposição de ambientalistas à exploração do enorme potencial hidrelétrico, o país estará numa situação complicada do ponto de vista do abastecimento de energia. O potencial de produção por usinas hidrelétricas é estimado em 260 mil MW, dos quais 80 mil são explorados.

     

    Mas como a maior parte deste inventário se encontra na Amazônia, não será possível explorar todo o potencial da região — por resistência de ambientalistas e também razões técnicas. Mesmo assim, a estimativa oficial é que será possível dobrar a geração para 160 mil MW, ainda contando basicamente com hidrelétricas.

     

     

    A considerar a batalha política que foi a aprovação do projeto de Belo Monte, por exemplo, não se deve esperar que os MW amazônicos serão líquidos e certos, estarão disponíveis na rede de distribuição tão logo sejam necessários.

     

     

    Eis porque a alternativa nuclear não deve ser descartada para horizontes de tempo não tão distantes. Variações meteorológicas, com secas mais persistentes que o normal, costumam criar problemas no abastecimento de energia. Agora, o Sul, em que os reservatórios estão muito baixo por falta de chuvas, tem sido abastecido pelo Sudeste e Uruguai.

     

    O presidente do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp, pede a construção de termelétricas para servir de retaguarda no suprimento de energia ao Sul. “Preferimos o gás natural ou o GNL (gás natural liquefeito), mas, se não puder, por que não o carvão?”

     

     

    Eis o ponto: com dificuldades políticas de expandir o parque de hidrelétricas no Norte e a demonização das termonucleares, o Brasil avança para “sujar” a matriz energética. Por ironia, em nome da preservação do meio ambiente, poluirá mais.

    Postado terça-feira, 15 de maio de 2012 às 17:24

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